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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

ÓRFÃOS, E A IGREJA!

ÓRFÃOS, E A IGREJA!


             

              Já parou pra pensar quantos órfãos existem no mundo?
           De acordo com dados do Fundo da ONU para a Infância (Unicef), 3,7 milhões de crianças brasileiras são órfãs de pai ou de mãe. O Brasil está na nona posição entre os países em desenvolvimento com o maior número de órfãos no mundo. Estima-se que existam mais de 16 milhões de órfãos no mundo que perderam seus pais para Aids, e isso, segundo a ONU, representa metade dos órfãos existentes no mundo.
             Você consegue imaginar a dor de um órfão? Muitos deles abandonados pelos pais ou retirados de suas famílias devida as condições sociais que vivem ou mal tratos sofridos por parte daqueles que lhe deveriam  dar amor e suporte no inicio de suas vidas. Eles vivem em verdadeiras prisões, pelo menos é assim que entendo os orfanatos no Brasil, sem voz, personagens que não vistos ou lembrados por muitos.

             A proposta desse pequeno estudo é mostrar que Deus se importa com aqueles que sofrem por viver nessa condição social. E por se importar, direcionou seu povo e, posteriormente, sua igreja para não agir passivamente diante dessa realidade, muitas vezes cruel e desumana. 

             A legislação veterotestamentária dava direcionamento quanto ao auxilio aos órfãos.
            Não sofrer qualquer espécie de tortura, fosse ela física ou moral, era o direito básico do órfão segundo a Tora, o texto de Êxodo 22.22 mostra que o órfão não deveria ser “afligido” [1], era exigido do cidadão hebreu dar alimento e roupa, e isso era uma maneira de “fazer justiça” [2].
            Do dizimo arrecado pela nação, os órfãos, junto às viúvas, estrangeiros e levitas, a cada três anos poderiam participar. Eles poderiam participar das festas de Israel sem constrangimentos.
            A lei da sega ou das colheitas encontrada no livro de Levítico (19.9-10; 23.22) e Deuteronômio (23.24-25; 24.19-22) davam amparo aos que viviam nessas condições, uma parte do que era colhido ou deixado de colher deveria ser dado livremente aos pobres, entre eles os órfãos detinham esse direito.
            E o mais importante, Deus deu a ordem, ninguém poderia perverter, transgredir ou omitir o direito dos órfãos sob a pena de maldição divina (cf. Deuteronômio 24.17; 27.19).
            Nos Salmos Deus é chamado de auxilio e protetor dos órfãos (cf. Salmos 10.14; 68.5; 146.9). Ainda nos Salmos o povo é conclamado a “fazer justiça” ajudando aos órfãos (cf. Salmos 10.18; 82.3). No livro sapiencial dos Provérbios, onde é exaltada a sabedoria, pede-se respeito à herança dos órfãos (Provérbios 23.10).
            Os profetas do antigo testamento, por varias vezes, denunciam abusos e exclusões que eles sofriam e em alguns casos o povo hebreu ouvia as denuncias e profecias ligadas a esse trato social. Isaías, por exemplo, afirma que Deus já não se agradava das ofertas, sacrifícios realizados pelos religiosos hebreus e asseverava que eles precisavam aprender a “fazer o que é bom, tratar os outros com justiça; socorrer os que são explorados, defender os direitos dos órfãos e proteger as viúvas.” (Isaías 1.17 NTLH, grifo nosso).
           A denuncia do profeta Isaías continua com os lideres de sua época, que por ganância esqueciam-se dos carentes (cf. Isaías 1.23; 10.2). Os profetas Jeremias e Ezequiel também fazem a mesma denuncia (cf. Jeremias 5.28; Ezequiel 22.6-7) e mostra que algumas promessas feitas pelo grande Deus de Israel estavam condicionadas ao tratamento que os hebreus iriam dar aos órfãos (cf. Jeremias 7.6; 22.3). Já Oséias lembra que a misericórdia ao órfão vem de Deus (Oséias 14.3).
            Em uma época de crises, de formação e de desenvolvimento de uma nação, vemos o cuidado de Deus para com os órfãos
            Você pode estar perguntando: E o novo testamento?
             Os órfãos na antiguidade faziam, e ainda fazem, parte da classe social chamada de pobres. Há alguns meses, comentamos sobre os pobres e o novo testamento. Você pode ver no link: (http://geracaojovemphb.blogspot.com.br/2015/12/a-pobreza-e-biblia-novo-testamento.html).
           O novo testamento aplica alguns princípios: Todos são iguais (Gálatas 3.28), o amor deve ser direcionado ao próximo ( Mateus 22.39), e que o próximo são todos aqueles que eu posso fazer o bem (Lucas 10.29-37). 
           Especificamente sobre os órfãos é impressionante é o que Tiago afirma: 
  A  religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guarda-se isento da corrupção do mundo  (Tiago 1.27  grifo nosso)
     A igreja tem uma obrigação, e nós não podemos fugir dela. Ser fiel a palavra à palavra é nossa obrigação, e isso inclui visitar os órfãos. A palavra traduzida como visitar (grego episkeptomai) significa literalmente cuidar, preocupar, examinar a fim de saber como estar, ser responsável.  
    O nosso convite é pra você, que faz parte da igreja! Lembre-se daqueles que vivem sob a égide das injustiças sociais, você pode orar por essas pessoas, mas não somente isso, tenha atitude! Faça algo! Visite! 
   Ou, quem sabe, você pode, futuramente, pensar em adotar uma criança, e assim ser usado por Deus para ajudar uma vida. 
 
   
Oaidson Bezerra e Silva



     

  
             




[1] O vocábulo hebraico para “afligir” (hne ‘anah), de acordo com STRONG  tem o sentido de: oprimido, humilhado, rebaixado, maltratado. (LÉXICO HEBRAICO, ARAMAICO E GREGO DE STRONG; 2002, Sociedade Bíblica do Brasil, 2ª Ed.)
[2] Deuteronômio 10.18

terça-feira, 20 de outubro de 2015

HINDUÍSMO E OS EVANGÉLICOS BRASILEIROS.


  Vivemos numa sociedade injusta.
  Basta olhar ao redor que logo se percebe um modelo de sociedade onde se concentram muito nas mãos de poucos e quase nada nas mãos da maioria.  O sistema imposto parece não incomodar o ser humano, dificilmente as dissonâncias sociais existentes e suas consequências criam, de forma eficaz, um impulso para a luta por mudanças.
  Em Mumbai, Índia, um dos homens mais ricos do mundo esta construindo a casa mais cara do mundo avaliada em quase dois bilhões, construída para seis pessoas a casa possuirá vinte e sete andares, nove elevadores, mais de seiscentos funcionários e heliporto para três helicópteros. O que chama a atenção é que a casa esta sendo construída onde havia um orfanato publico e no bairro mais pobre de Mumbai (cerca de 60% da população é extremamente pobre)[1].
                O fato acima citado mostra o quão inerte e passivo o ser humano fica diante das disparidades existentes. Mas enquanto aos cristãos, será que agimos e vivemos da mesma forma? Conseguimos de fato ter algum tipo de sentimento com o sofrimento causado pelo sistema social que estamos inseridos?
                O cristianismo é diferente do hinduísmo onde o sistema de casta é aceito com naturalidade e a explicação para as diferenças sociais consiste puramente em determinismo e aceitação da casta onde se está inserido. Mas alguns cristãos agem como hindus simplesmente ignoram a situação alheia, como se aquilo fosse sorte predeterminada pela divindade cristã.
                A preocupação e o amor com o próximo ensinado por Jesus parecem ser ignorados. No evangelho escrito por Lucas (CAP 10.29-37) Jesus fala com um interprete da lei judaica. O intuito daquele doutor era testar Jesus, ele pergunta como herdar a vida eterna ao que é respondido “ Que está escrito na lei? Como lês?  E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.”
                Aquele doutor pergunta quem é o seu próximo, Jesus então conta uma estória: “Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele; 35  E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar”.
                Jesus conclui com um questionamento: “quem destes três parece o próximo daquele que sofreu o infortúnio?”.
                A grande questão é quem é o “próximo” para aqueles que se dizem cristãos? E por que aceitamos as consequências do sistema social com tanta passividade? O menor abandonado, o mendigo, as prostitutas, os dependentes químicos, a pobreza, os abusos, parecem não incomodar?
                Enquanto não encararmos o ser humano em sua plenitude (corpo, alma e espirito) como nosso próximo e fazer como Jesus ensinou jamais poderemos nos denominar cristãos.